A
Inclusão digital na Escola
Autor: Luiz de França Sobrinho
Aluno do Mestrado em Docência da Educação Brasileira– Sapiens
A
educação está mudando radicalmente com as novas tecnologias, com
o uso da internet e das mídias: computador, TV, rádio e outros.
Este assunto é abordado neste artigo de uma maneira precisa e clara
pois colocamos a importância destas ferramentas na sala de aula uma
vez que as tecnologias invadem as nossas vidas, ampliam a nossa
memória, garantem novas possibilidades de bem-estar. As pessoas já
estão inseridas no mundo digital e a escola não pode ficar de fora.
Ao acessar a internet já faz parte do cotidiano de muita gente em
salas de bate-papo, sites de relacionamentos, grupos de discussões,
fóruns, enfim é só “teclar” para interagir com o mundo. A
Internet favorece a construção colaborativa, o trabalho conjunto
entre professores e alunos, próximos física ou virtualmente.
Podemos participar de uma pesquisa em tempo real, de um projeto entre
vários grupos, de uma investigação sobre um problema de
atualidade. O importante é combinar o que podemos fazer melhor em
sala de aula: conhecer-nos, motivar-nos, reencontrarmos, com o que
podemos fazer a distância e divulgar as produções dos professores
e dos alunos. A Internet e as novas tecnologias estão trazendo novos
desafios pedagógicos para as universidades e escolas.
Palavras-chave:
Internet, ambientes virtuais, redes, computador, inclusão
1 Introdução
A Inclusão Digital
pode ser considerada como democratização das tecnologias. Incluir
uma pessoa digitalmente não é apenas "alfabetizá-la" em
informática, mas sim fazer com que o conhecimento adquirido por
ela sobre a informática seja útil para melhorar seu quadro social.
As tecnologias vieram para revolucionar padrões de comportamento e
transformar a forma de pensar. O futuro agora chega rápido e a
escola não pode ficar fora de tantas mudanças. Na escola pública o
governo trabalha com a inclusão digital de forma acelerada. No
Brasil, o Ministério da Educação implanta projetos como o UCA (Um
Computado Por Aluno) onde os alunos recebem computadores. O PROINFO
(Programa Nacional de Tecnologia Educacional) equipa laboratórios
com computadores e banda larga capacitando educadores para utilizar
estas ferramentas em prol do ensino-aprendizagem, com o objetivo de
promover a inclusão digital dos professores, gestores e a comunidade
em geral da educação básica. Também está a disposição do
professor o portal do professor com várias mídias para serem
utilizadas em sala de aula.
Quando falamos em inclusão digital na escola estamos falando da
disseminação do que é conteúdo digital especificamente no ensino
aprendizagem, que são conteúdos educacionais de multimídias.
O professor precisa sair da universidade muito bem preparado para
saber quando da necessidade de utilizar as Tecnologias de Informação
e Comunicação (TIC) em suas aulas. Ele é quem vai decidir, pois
ele precisa entender o que é objeto de aprendizagem virtual para
poder inserir estes conteúdos em sala de aula.
A inclusão digital não será feita apenas com a chegada de
computadores, banda larga e tablets, mas com a nova forma de pensar,
de aprender e de ensinar. Nada adianta a escola ter estes artefatos
tecnológicos se ela não tem um projeto de uso destas tecnologias.
Ou seja, a inclusão digital precisa constar no Projeto Político
Pedagógico da escola (PPP). As mudanças devem ser metodológicas.
As ferramentas digitais tem uma grande importância em sala de aula,
mas é necessário que o professor reconstrua sua prática
pedagógica. Ele não deve usar essas tecnologias porque a escola
obriga, como é o caso de algumas escolas particulares.
Um problema sério em relação a inclusão digital está na formação
dos professores nos cursos de licenciaturas. As universidades não
formam profissionais para lidarem com a inclusão digital nas
escolas. Então existe uma rejeição por parte de alguns
profissionais tanto no uso das tecnologias, quanto na participação
da formação continuada oferecida pelo Proinfo Integrado –
Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologias
Educacionais.
2 Fundamentação Teórica
As tecnologias são tão remotas quanto a espécie humana. Tecnologia
é poder. Na Idade da Pedra os homens que eram frágeis fisicamente
diante de outros animais e das manifestações da natureza
conseguiram garantir a sobrevivência da espécie e sua supremacia
pela engenhosidade e astúcia com que dominava o uso da natureza.
Água, fogo, um pedaço de pau, osso de animal eram utilizados para
matar, dominar ou afugentar animais e outros homens que não tinham
os mesmos conhecimentos e habilidades (KENSKI, 2008).
As tecnologias invadem as nossas vidas, ampliam a nossa memória,
garantem novas possibilidades de bem-estar e fragilizam as
capacidades naturais do ser humano.
Ao acessar internet, a qualquer momento, você já não precisa
ficar sozinho diante da tela do computador. Em salas de bate-papo,
sites de relacionamentos, grupos de discussões, é possível o
acesso a muitas outras pessoas que, como você, estão querendo
conversar, trocar ideias, pedir ajuda, em fim “teclar”,
interagir.
De acordo com o escritor Manoel Castell, o processo que ocorre nesse
novo modo de desenvolvimento pelas redes é caracterizado por três
estágios: a automação de tarefas (racionalização dos processos
existentes); a experimentação de usos (inovações) e a
configuração de aplicações (implementação de novos processos,
criando novas tarefas). Como a matéria-prima fundamental das novas
tecnologias é a informação, cada novidade tecnológica pode se
tornar instantaneamente a matéria-prima para o próximo ciclo de
desenvolvimento, contribuindo para o aumento da rapidez do processo
de inovação.
Os aspectos mais importantes e inovadores da TV digital estão nas
condições de acessibilidade e interatividade que ela proporciona.
Essa interatividade oferece inúmeras funcionalidades. O usuário
pode interagir livremente com os dados recebidos pela televisão e
que ficam armazenados no seu receptor; pode ainda receber os dados
pelo sistema de televisão e interagir, responder ou trocar
informações sobre eles por uma rede à parte, como uma linha
telefônica, por exemplo. Com a expansão das redes de banda larga o
canal de retorno pode ser feito pelo próprio sistema televisivo.
Para isso, o usuário de TV digital necessita não apenas de antenas
receptoras, mas também de antenas transmissoras, e o sistema deve
ter capacidade para transportar esses sinais até a central de
transmissão.
Todo mundo vai para a escola para aprender. Na visão tradicional, a
escola serve para preparar a vida social, a atividade produtiva e o
desenvolvimento técnico científico. A escola é uma instituição
social, que tem importância fundamental em todos o momentos de
mudanças na sociedade.
O computador, considerado como mais um equipamento, ao lado da
televisão, do rádio, do retroprojetor e de outros recursos, desde
que se inseriu nas atividades pedagógicas nas escolas passou a ser
visto de maneira diferente. Com a internet, a interatividade entre
computadores, o acesso irrestrito a bancos de dados localizados em
qualquer lugar do mundo e a possibilidade de comunicação entre os
usuários transformaram, ainda que de forma sutil, a maneira como
professores e todo pessoal das escolas passaram a perceber os usos
dessas máquinas e a integrá-los nos processos de ensino.
O ensino mediado pelas tecnologias digitais redimensiona os papéis
de todos os envolvidos no processo educacional.
Como um novo espaço possibilitado pelas tecnologias digitais,
surgem os ambientes virtuais, uma outra realidade, que pode existir
paralelamente aos ambientes vivenciais concretos (aqueles que
estamos fisicamente presentes) e se abrem para a criação de espaços
educacionais radicalmente diferentes.
Ambientes digitais de aprendizagem
São sistemas
computacionais disponíveis na internet, destinados ao suporte de
atividades mediadas pelas tecnologias de informação e comunicação.
Permitem integrar múltiplas mídias, linguagens e recursos,
apresentar informações de maneira organizada, desenvolver
interações entre pessoas e objetos de conhecimentos, elaborar e
socializar produções, tendo em vista atingir determinados
objetivos. As atividades se desenvolvem no tempo, ritmo de trabalho e
espaço em que cada participante se localiza, de acordo com uma
intencionalidade explícita e um planejamento prévio denominado
design educacional, o qual constitui a espinha dorsal das atividades
a realizar, sendo revisto e reelaborado continuamente no andamento da
atividade.
(ALMEIDA, 2003)
A conectividade garante o
acesso rápido à informação e à comunicação interpessoal, em
qualquer tempo e lugar, sustentando o desenvolvimento de projetos e
em colaboração e a coordenação das atividades. Essas três
características: interatividade, hipertextualidade e conectividade
já garantem o diferencial dos ambientes virtuais para o aprendizagem
individual e grupal.
As competências e habilidades dos alunos da geração net
estão mudando. O movimento vem de fora da escola e é ela que
cada vez mais, sofrerá suas consequências. Para atender as
expectativas destes alunos, a escola precisa mudar também, e muito.
O futuro da escola está em jogo e, justamente são os jogos a causa
e a consequência dessas mudanças no comportamento dos jovens. Em
suas casas ou em lan rouses, jovens dedicam-se com prazer ao que mais
gostam de fazer jogar em rede.
Os jogos eletrônicos mais
procurados pertencem a três tipos básicos: simuladores, jogos de
estratégia e jogos de ação. Os simuladores exigem reflexos e
movimentos rápidos para, por exemplo, pilotar carros velozes em
corridas e ralis ou esquiar em perigosas curvas de pistas de neve. Já
os jogos de estratégias precisam de mais raciocínio, para construir
e administrar uma cidade ou para conduzir exércitos e vencer uma
guerra. Os jogos de ação são aqueles em que o jogador encarna um
personagem no cenário do jogo e comanda ações, em geral com
movimentos rápidos.
A Internet, as redes, o celular, a multimídia estão revolucionando
nossa vida no cotidiano. Cada vez mais resolvemos mais problemas
conectados, a distância. Na educação, porém, sempre colocamos
dificuldades para a mudança, sempre achamos justificativas para a
inércia ou vamos mudando mais os equipamentos do que os
procedimentos. A educação de milhões de pessoas não pode ser
mantida na prisão, na asfixia e na monotonia em que se encontra.
Está muito engessada, previsível, cansativa.
Muitos expressam seu receio de
que o virtual e as atividades a distância sejam um pretexto para
baixar o nível de ensino, para aligeirar a aprendizagem. Tudo
depende de como for feito. A qualidade não acontece só por estarmos
juntos num mesmo lugar, mas por estabelecermos ações que facilitem
a aprendizagem. A escola continua sendo uma referência importante.
Ir até ela ajuda a definir uma situação oficial de aprendiz, a
conhecer outros colegas, a aprender a conviver. Mas, pela inércia
diante de tantas mudanças sociais, ela está se convertendo em um
lugar de confinamento, retrógrado e pouco estimulante.
A escola pode ser um espaço
de inovação, de experimentação saudável de novos caminhos. Não
precisamos romper com tudo, mas implementar mudanças e
supervisioná-las com equilíbrio e maturidade.
A chegada da Internet, dos programas que gerenciam grupos e
possibilitam a publicação de materiais estão trazendo
possibilidades inimagináveis por mais de vinte anos. A resposta
sobre inclusão digital na escola dada até agora ainda é muito
tímida, deixada a critério de cada professor, sem uma política
institucional mais ousada, corajosa, incentivadora de mudanças. Está
mais do que na hora de evoluir, modificar nossas propostas, aprender
fazendo.
Os alunos gostam da
comunicação online, da pesquisa instantânea, de tudo o que
acontece naquele momento. As salas de aula precisam estar equipadas
com acesso a Internet para mostrar rapidamente o resultado de uma
pesquisa em tempo real na sala. Os alunos necessitam de mais
laboratórios conectados, principalmente os mais carentes, sem esse
acesso em casa. Para alunos com acesso a Internet é possível
realizar uma parte do processo de aprendizagem a
distância/conectados. E os alunos sem esse acesso poderiam fazer
essas mesmas atividades nos laboratórios.
A Internet é um espaço
virtual de comunicação e de divulgação. Hoje é necessário que
cada escola mostre sua cara para a sociedade, que diga o que está
fazendo, os projetos que desenvolve, a filosofia pedagógica que
segue, as atribuições e responsabilidades de cada um dentro da
escola. É a divulgação para a sociedade toda. É uma informação
aberta, com possibilidade de acesso para todos em torno de
informações gerais.
Cada professor pode ter uma página pessoal com suas disciplinas,
atividades, projetos e materiais específicos. Pode haver também
áreas de comunicação como listas de discussão, fóruns e chats.
Os alunos têm acesso à Biblioteca Virtual
Hoje, com a Internet e a fantástica evolução tecnológica,
podemos aprender de muitas formas, em lugares diferentes, de formas
diferentes. A sociedade como um todo é um espaço privilegiado de
aprendizagem. Mas ainda é a escola a organizadora e certificadora
principal do processo de ensino-aprendizagem.
Com a Internet e as redes de comunicação em tempo real, surgem
novos espaços importantes para o processo de ensino-aprendizagem,
que modificam e ampliam o que fazíamos na sala de aula. Abrem-se
novos campos na educação on-line principalmente na educação a
distância. Mas também na educação presencial a chegada da
Internet está trazendo novos desafios para a sala de aula, tanto
tecnológicos como pedagógicos.
A Internet favorece a
construção colaborativa, o trabalho conjunto entre professores e
alunos, próximos física ou virtualmente. Podemos participar de uma
pesquisa em tempo real, de um projeto entre vários grupos, de uma
investigação sobre um problema de atualidade. O importante é
combinar o que podemos fazer melhor em sala de aula: conhecer-nos,
motivar-nos, reencontrar-nos, com o que podemos fazer a distância
pela lista, fórum ou chat – pesquisar, comunicar-nos e divulgar as
produções dos professores e dos alunos.
A Internet e as novas
tecnologias estão trazendo novos desafios pedagógicos para as
universidades e escolas. Os professores, em qualquer curso
presencial, precisam aprender a gerenciar vários espaços e a
integrá-los de forma aberta, equilibrada e inovadora. O primeiro
espaço é o de uma nova sala de aula equipada e com atividades
diferentes, que se integra com a ida ao laboratório conectado em
rede para desenvolver atividades de pesquisa e de domínio
técnico-pedagógico. Estas atividades se ampliam a distância, nos
ambientes virtuais de aprendizagem conectados à Internet e se
complementam com espaços e tempos de experimentação, de
conhecimento da realidade, de inserção em ambientes profissionais e
informais
3 Considerações finais
Em vista do que foi apesentado, é possível
analisar que escola pode concentrar seu esforço na importância da
Inclusão Digital capacitando seus alunos para integrar a tecnologia
na sua vida e nos seus afazeres, desenvolvendo, com a ajuda da
tecnologia, as competências necessárias para melhorar a qualidade
de vida.
Estas ferramentas de inclusão digital mudam os
meios de comunicação. Ao utilizarmos a internet para acessar as
redes sociais e os blogs estamos utilizando uma nova modalidade de
comunicação e uma nova maneira de ensinar e aprender dentro e fora
da escola. Isto faz com que o professor tenha o aluno como parceiro,
tornando o processo ensino-aprendizagem mais eficiente e em sintonia
com o mundo globalizado em que vivemos.
Referências
ALMEIDA,
M.E.B. (2003). “Educação a distância na internet: Abordagem e
contribuições dos ambientes digitais de aprendizagem”.
Educação e Pesquisa, Vol. 29, n. 2 (jul.-dez).
CASTELLS,
Manoel. (1999). A sociedade em rede. São Paulo: Paz e
Terra
KENSKI,
Vani Moureira. (2008). Educação e Tecnologias: O novo ritmo da
informação