quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A Inclusão digital na Escola


         
A Inclusão digital na Escola

Autor: Luiz de França Sobrinho
Aluno do Mestrado em Docência da Educação Brasileira– Sapiens


A educação está mudando radicalmente com as novas tecnologias, com o uso da internet e das mídias: computador, TV, rádio e outros. Este assunto é abordado neste artigo de uma maneira precisa e clara pois colocamos a importância destas ferramentas na sala de aula uma vez que as tecnologias invadem as nossas vidas, ampliam a nossa memória, garantem novas possibilidades de bem-estar. As pessoas já estão inseridas no mundo digital e a escola não pode ficar de fora. Ao acessar a internet já faz parte do cotidiano de muita gente em salas de bate-papo, sites de relacionamentos, grupos de discussões, fóruns, enfim é só “teclar” para interagir com o mundo. A Internet favorece a construção colaborativa, o trabalho conjunto entre professores e alunos, próximos física ou virtualmente. Podemos participar de uma pesquisa em tempo real, de um projeto entre vários grupos, de uma investigação sobre um problema de atualidade. O importante é combinar o que podemos fazer melhor em sala de aula: conhecer-nos, motivar-nos, reencontrarmos, com o que podemos fazer a distância e divulgar as produções dos professores e dos alunos. A Internet e as novas tecnologias estão trazendo novos desafios pedagógicos para as universidades e escolas.






Palavras-chave: Internet, ambientes virtuais, redes, computador, inclusão
















1 Introdução

A Inclusão Digital pode ser considerada como democratização das tecnologias. Incluir uma pessoa digitalmente não é apenas "alfabetizá-la" em informática, mas sim fazer com que o conhecimento adquirido por ela sobre a informática seja útil para melhorar seu quadro social.
As tecnologias vieram para revolucionar padrões de comportamento e transformar a forma de pensar. O futuro agora chega rápido e a escola não pode ficar fora de tantas mudanças. Na escola pública o governo trabalha com a inclusão digital de forma acelerada. No Brasil, o Ministério da Educação implanta projetos como o UCA (Um Computado Por Aluno) onde os alunos recebem computadores. O PROINFO (Programa Nacional de Tecnologia Educacional) equipa laboratórios com computadores e banda larga capacitando educadores para utilizar estas ferramentas em prol do ensino-aprendizagem, com o objetivo de promover a inclusão digital dos professores, gestores e a comunidade em geral da educação básica. Também está a disposição do professor o portal do professor com várias mídias para serem utilizadas em sala de aula.
Quando falamos em inclusão digital na escola estamos falando da disseminação do que é conteúdo digital especificamente no ensino aprendizagem, que são conteúdos educacionais de multimídias.
O professor precisa sair da universidade muito bem preparado para saber quando da necessidade de utilizar as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) em suas aulas. Ele é quem vai decidir, pois ele precisa entender o que é objeto de aprendizagem virtual para poder inserir estes conteúdos em sala de aula.
A inclusão digital não será feita apenas com a chegada de computadores, banda larga e tablets, mas com a nova forma de pensar, de aprender e de ensinar. Nada adianta a escola ter estes artefatos tecnológicos se ela não tem um projeto de uso destas tecnologias. Ou seja, a inclusão digital precisa constar no Projeto Político Pedagógico da escola (PPP). As mudanças devem ser metodológicas.
As ferramentas digitais tem uma grande importância em sala de aula, mas é necessário que o professor reconstrua sua prática pedagógica. Ele não deve usar essas tecnologias porque a escola obriga, como é o caso de algumas escolas particulares.
Um problema sério em relação a inclusão digital está na formação dos professores nos cursos de licenciaturas. As universidades não formam profissionais para lidarem com a inclusão digital nas escolas. Então existe uma rejeição por parte de alguns profissionais tanto no uso das tecnologias, quanto na participação da formação continuada oferecida pelo Proinfo Integrado – Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologias Educacionais.
2 Fundamentação Teórica

As tecnologias são tão remotas quanto a espécie humana. Tecnologia é poder. Na Idade da Pedra os homens que eram frágeis fisicamente diante de outros animais e das manifestações da natureza conseguiram garantir a sobrevivência da espécie e sua supremacia pela engenhosidade e astúcia com que dominava o uso da natureza. Água, fogo, um pedaço de pau, osso de animal eram utilizados para matar, dominar ou afugentar animais e outros homens que não tinham os mesmos conhecimentos e habilidades (KENSKI, 2008).
As tecnologias invadem as nossas vidas, ampliam a nossa memória, garantem novas possibilidades de bem-estar e fragilizam as capacidades naturais do ser humano.
Ao acessar internet, a qualquer momento, você já não precisa ficar sozinho diante da tela do computador. Em salas de bate-papo, sites de relacionamentos, grupos de discussões, é possível o acesso a muitas outras pessoas que, como você, estão querendo conversar, trocar ideias, pedir ajuda, em fim “teclar”, interagir.
De acordo com o escritor Manoel Castell, o processo que ocorre nesse novo modo de desenvolvimento pelas redes é caracterizado por três estágios: a automação de tarefas (racionalização dos processos existentes); a experimentação de usos (inovações) e a configuração de aplicações (implementação de novos processos, criando novas tarefas). Como a matéria-prima fundamental das novas tecnologias é a informação, cada novidade tecnológica pode se tornar instantaneamente a matéria-prima para o próximo ciclo de desenvolvimento, contribuindo para o aumento da rapidez do processo de inovação.
Os aspectos mais importantes e inovadores da TV digital estão nas condições de acessibilidade e interatividade que ela proporciona. Essa interatividade oferece inúmeras funcionalidades. O usuário pode interagir livremente com os dados recebidos pela televisão e que ficam armazenados no seu receptor; pode ainda receber os dados pelo sistema de televisão e interagir, responder ou trocar informações sobre eles por uma rede à parte, como uma linha telefônica, por exemplo. Com a expansão das redes de banda larga o canal de retorno pode ser feito pelo próprio sistema televisivo. Para isso, o usuário de TV digital necessita não apenas de antenas receptoras, mas também de antenas transmissoras, e o sistema deve ter capacidade para transportar esses sinais até a central de transmissão.
Todo mundo vai para a escola para aprender. Na visão tradicional, a escola serve para preparar a vida social, a atividade produtiva e o desenvolvimento técnico científico. A escola é uma instituição social, que tem importância fundamental em todos o momentos de mudanças na sociedade.
O computador, considerado como mais um equipamento, ao lado da televisão, do rádio, do retroprojetor e de outros recursos, desde que se inseriu nas atividades pedagógicas nas escolas passou a ser visto de maneira diferente. Com a internet, a interatividade entre computadores, o acesso irrestrito a bancos de dados localizados em qualquer lugar do mundo e a possibilidade de comunicação entre os usuários transformaram, ainda que de forma sutil, a maneira como professores e todo pessoal das escolas passaram a perceber os usos dessas máquinas e a integrá-los nos processos de ensino.
O ensino mediado pelas tecnologias digitais redimensiona os papéis de todos os envolvidos no processo educacional.
Como um novo espaço possibilitado pelas tecnologias digitais, surgem os ambientes virtuais, uma outra realidade, que pode existir paralelamente aos ambientes vivenciais concretos (aqueles que estamos fisicamente presentes) e se abrem para a criação de espaços educacionais radicalmente diferentes.
Ambientes digitais de aprendizagem

São sistemas computacionais disponíveis na internet, destinados ao suporte de atividades mediadas pelas tecnologias de informação e comunicação. Permitem integrar múltiplas mídias, linguagens e recursos, apresentar informações de maneira organizada, desenvolver interações entre pessoas e objetos de conhecimentos, elaborar e socializar produções, tendo em vista atingir determinados objetivos. As atividades se desenvolvem no tempo, ritmo de trabalho e espaço em que cada participante se localiza, de acordo com uma intencionalidade explícita e um planejamento prévio denominado design educacional, o qual constitui a espinha dorsal das atividades a realizar, sendo revisto e reelaborado continuamente no andamento da atividade. (ALMEIDA, 2003)

A conectividade garante o acesso rápido à informação e à comunicação interpessoal, em qualquer tempo e lugar, sustentando o desenvolvimento de projetos e em colaboração e a coordenação das atividades. Essas três características: interatividade, hipertextualidade e conectividade já garantem o diferencial dos ambientes virtuais para o aprendizagem individual e grupal.
As competências e habilidades dos alunos da geração net1 estão mudando. O movimento vem de fora da escola e é ela que cada vez mais, sofrerá suas consequências. Para atender as expectativas destes alunos, a escola precisa mudar também, e muito. O futuro da escola está em jogo e, justamente são os jogos a causa e a consequência dessas mudanças no comportamento dos jovens. Em suas casas ou em lan rouses, jovens dedicam-se com prazer ao que mais gostam de fazer jogar em rede.
Os jogos eletrônicos mais procurados pertencem a três tipos básicos: simuladores, jogos de estratégia e jogos de ação. Os simuladores exigem reflexos e movimentos rápidos para, por exemplo, pilotar carros velozes em corridas e ralis ou esquiar em perigosas curvas de pistas de neve. Já os jogos de estratégias precisam de mais raciocínio, para construir e administrar uma cidade ou para conduzir exércitos e vencer uma guerra. Os jogos de ação são aqueles em que o jogador encarna um personagem no cenário do jogo e comanda ações, em geral com movimentos rápidos.
A Internet, as redes, o celular, a multimídia estão revolucionando nossa vida no cotidiano. Cada vez mais resolvemos mais problemas conectados, a distância. Na educação, porém, sempre colocamos dificuldades para a mudança, sempre achamos justificativas para a inércia ou vamos mudando mais os equipamentos do que os procedimentos. A educação de milhões de pessoas não pode ser mantida na prisão, na asfixia e na monotonia em que se encontra. Está muito engessada, previsível, cansativa.
Muitos expressam seu receio de que o virtual e as atividades a distância sejam um pretexto para baixar o nível de ensino, para aligeirar a aprendizagem. Tudo depende de como for feito. A qualidade não acontece só por estarmos juntos num mesmo lugar, mas por estabelecermos ações que facilitem a aprendizagem. A escola continua sendo uma referência importante. Ir até ela ajuda a definir uma situação oficial de aprendiz, a conhecer outros colegas, a aprender a conviver. Mas, pela inércia diante de tantas mudanças sociais, ela está se convertendo em um lugar de confinamento, retrógrado e pouco estimulante.
A escola pode ser um espaço de inovação, de experimentação saudável de novos caminhos. Não precisamos romper com tudo, mas implementar mudanças e supervisioná-las com equilíbrio e maturidade.
A chegada da Internet, dos programas que gerenciam grupos e possibilitam a publicação de materiais estão trazendo possibilidades inimagináveis por mais de vinte anos. A resposta sobre inclusão digital na escola dada até agora ainda é muito tímida, deixada a critério de cada professor, sem uma política institucional mais ousada, corajosa, incentivadora de mudanças. Está mais do que na hora de evoluir, modificar nossas propostas, aprender fazendo.
Os alunos gostam da comunicação online, da pesquisa instantânea, de tudo o que acontece naquele momento. As salas de aula precisam estar equipadas com acesso a Internet para mostrar rapidamente o resultado de uma pesquisa em tempo real na sala. Os alunos necessitam de mais laboratórios conectados, principalmente os mais carentes, sem esse acesso em casa. Para alunos com acesso a Internet é possível realizar uma parte do processo de aprendizagem a distância/conectados. E os alunos sem esse acesso poderiam fazer essas mesmas atividades nos laboratórios.
A Internet é um espaço virtual de comunicação e de divulgação. Hoje é necessário que cada escola mostre sua cara para a sociedade, que diga o que está fazendo, os projetos que desenvolve, a filosofia pedagógica que segue, as atribuições e responsabilidades de cada um dentro da escola. É a divulgação para a sociedade toda. É uma informação aberta, com possibilidade de acesso para todos em torno de informações gerais.
Cada professor pode ter uma página pessoal com suas disciplinas, atividades, projetos e materiais específicos. Pode haver também áreas de comunicação como listas de discussão, fóruns e chats. Os alunos têm acesso à Biblioteca Virtual
Hoje, com a Internet e a fantástica evolução tecnológica, podemos aprender de muitas formas, em lugares diferentes, de formas diferentes. A sociedade como um todo é um espaço privilegiado de aprendizagem. Mas ainda é a escola a organizadora e certificadora principal do processo de ensino-aprendizagem.
Com a Internet e as redes de comunicação em tempo real, surgem novos espaços importantes para o processo de ensino-aprendizagem, que modificam e ampliam o que fazíamos na sala de aula. Abrem-se novos campos na educação on-line principalmente na educação a distância. Mas também na educação presencial a chegada da Internet está trazendo novos desafios para a sala de aula, tanto tecnológicos como pedagógicos.
A Internet favorece a construção colaborativa, o trabalho conjunto entre professores e alunos, próximos física ou virtualmente. Podemos participar de uma pesquisa em tempo real, de um projeto entre vários grupos, de uma investigação sobre um problema de atualidade. O importante é combinar o que podemos fazer melhor em sala de aula: conhecer-nos, motivar-nos, reencontrar-nos, com o que podemos fazer a distância pela lista, fórum ou chat – pesquisar, comunicar-nos e divulgar as produções dos professores e dos alunos.
A Internet e as novas tecnologias estão trazendo novos desafios pedagógicos para as universidades e escolas. Os professores, em qualquer curso presencial, precisam aprender a gerenciar vários espaços e a integrá-los de forma aberta, equilibrada e inovadora. O primeiro espaço é o de uma nova sala de aula equipada e com atividades diferentes, que se integra com a ida ao laboratório conectado em rede para desenvolver atividades de pesquisa e de domínio técnico-pedagógico. Estas atividades se ampliam a distância, nos ambientes virtuais de aprendizagem conectados à Internet e se complementam com espaços e tempos de experimentação, de conhecimento da realidade, de inserção em ambientes profissionais e informais





3 Considerações finais

Em vista do que foi apesentado, é possível analisar que escola pode concentrar seu esforço na importância da Inclusão Digital capacitando seus alunos para integrar a tecnologia na sua vida e nos seus afazeres, desenvolvendo, com a ajuda da tecnologia, as competências necessárias para melhorar a qualidade de vida.
Estas ferramentas de inclusão digital mudam os meios de comunicação. Ao utilizarmos a internet para acessar as redes sociais e os blogs estamos utilizando uma nova modalidade de comunicação e uma nova maneira de ensinar e aprender dentro e fora da escola. Isto faz com que o professor tenha o aluno como parceiro, tornando o processo ensino-aprendizagem mais eficiente e em sintonia com o mundo globalizado em que vivemos.

Referências

ALMEIDA, M.E.B. (2003). “Educação a distância na internet: Abordagem e contribuições dos ambientes digitais de aprendizagem”. Educação e Pesquisa, Vol. 29, n. 2 (jul.-dez).
CASTELLS, Manoel. (1999). A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra
KENSKI, Vani Moureira. (2008). Educação e Tecnologias: O novo ritmo da informação

1Termo criado por Tapscott (1998), para designar crianças e jovens que, desde muito cedo, utilizam regularmente computadores e acessam redes digitais.

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